segunda-feira, 29 de março de 2010

A República - Platão

A República - Platão.

Por: Prof. Thiago André
E-mail: contato@thiagoandre.com

A obra A República, de Platão, é mais uma obra ao estilo próprio do autor: um diálogo no qual pretende expressar as lições aprendidas por ele de Sócrates, Filósofo contemporâneo mais velho. Sócrates foi o que hoje poderíamos chamar de preceptor de Platão, embora em sua época a opinião sobre o assunto pudesse gerar controvérsias por parte de ambos os filósofos.

Existe a história de que em uma oportunidade, quando Sócrates visitou o Oráculo de Delfos, lhe foi atribuída a qualidade de homem mais sábio, justamente pela condição paradoxal de ele mesmo considerar desconhecedor das coisas, a famosa frase só sei que nada sei (Hoc unum scio, me nihil scire - uma coisa sei, que nada sei) Também é no templo de Delfos onde há outra famosa frase inscrita: conhece-te a ti mesmo. Nesse caso, a tradução do grego para o português se faz adequada, e a construção sintaticamente errada é utilizada corretamente como recurso de linguagem para enfatizar a idéia de conhecer a si mesmo, ênfase semelhante à da expressão original.

Por esse motivo é que Sócrates provavelmente discordaria ser chamado de preceptor ou professor. Pelo contrário, sua idéia era a de que os outros o ensinavam a partir da aplicação de seu método chamado maiêutica, ou o parto de idéias. De modo análogo à profissão de sua mãe parteira, que dava luz às pessoas, ele considerava que paria idéias através da construção de conhecimento via perguntas direcionadas ao outro interlocutor. Ao invés de conversar colocando suas próprias idéias, ele procurava parí-las da mente dos outros formulando perguntas em sequências lógicas.

É então a partir dessa metodologia que Platão procura transmitir as idéias em A República. Na obra, formula a idéia de Estado ideal de acordo com o que se conclui durante o diálogo sobre o que é justo e bom.

Para a criação e manutenção desse Estado, em primeiro lugar, cada pessoa seria incumbida da atividade, e apenas dessa, que lhe fosse adequada por natureza, ou que tivesse nascido para fazer. De acordo com essas atividades, o Estado seria dividido em três classes: a dos trabalhadores, a dos guerreiros e a dos chefes.

A educação das crianças era iniciada já se pensando na atribuição que teriam quando adultos. Os guerreiros e chefes seriam educados pela ginástica, música e ciências matemáticas (álgebra, geometria, astronomia e harmônica, as três últimas no que diz respeito à matemática pura de cada uma delas, e não a, respectivamente, as formas, aparências e posições dos astros ou ao som proferido pelas notas musicais propriamente ditas). O estudo da dialética seria acrescido ao curriculum dos chefes, que deveriam ser filósofos por natureza e por atuação. Sendo os mais virtuosos dos seres humanos e os mais capacitados a conhecer e aplicar o bem e a justiça, se não os únicos, seriam também os que mais corresponderiam aos interesses do Estado: o bem de todos.

A educação era elaborada de tal forma que proporcionasse o desenvolvimento dos atributos essenciais a cada função e de maneira que evitasse os vícios da natureza humana e incentivasse as virtudes, já que de qual outra forma se construiria um Estado bom e justo se não através da virtude?

Além disso, de maneira a manter a cidade boa e justa, não haveria "meus" ou "minhas", a não ser o próprio corpo de cada alma, mas sim o "nosso". Assim, privados de posses e bens que não as posses e bens comuns a todos, nenhum concidadão entraria em conflito com os outros por divergência de interesse, sendo até mesmo o interesse algo comum a todos: o bom para o Estado e, consequentemente, para todos. De fato, nem os guerreiros e nem os chefes, de posições mais elevadas em importância que os trabalhadores, e o chefe ainda mais que os guerreiros, teriam maiores regalias que as classes inferiores. Na verdade, até teriam menos, de maneira que, dentre outras coisas, se evitaria a posse do poder pelas vantagens políticas, fama, fortuna e todas as demais de mesma espécie, incentivando a posse pela necessidade de bem governar, ou da artilharia para bem proteger.

A discussão das diferenças entre o bem e o mal, o justo e o injusto e entre o vício e a virtude dão origem a uma obra cuja idéia geral gira em torno da ética e o bem comum. O modelo de república proposto por Platão aparenta não se adaptar à realidade atual, o que não nos impede de, ainda assim, considerar a idéia um grande avanço em relação às condições de vida e padrões de pensamentos (zeitgeist) que pairavam na atmosfera social e intelectual daquela época.

Referências Bibliográficas.

  1. Platão; A República; Martin Claret; São Paulo: 2001.
Fonte (http://www.cursodeleitura.com/redacoes-e-resumos/filosofia/a-republica.php)

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